China IP Court System: A Guide for Foreign Litigants
📅 2026-06-01
🏷️ IP Enforcement
## Guia de Litígios para Partes Estrangeiras nos Tribunais de Propriedade Intelectual da China
Com a crescente importância da China no sistema global de proteção da propriedade intelectual, partes estrangeiras recorrem cada vez mais aos tribunais de propriedade intelectual chineses em busca de reparação jurídica. A China estabeleceu tribunais ou câmaras especializadas em propriedade intelectual em Pequim, Xangai, Guangzhou, Shenzhen e outras cidades, formando um sistema judiciário relativamente completo. Este guia visa fornecer orientações práticas para partes estrangeiras que litigam nos tribunais de propriedade intelectual da China, abrangendo aspetos-chave como o quadro jurídico, o processo judicial, as regras de prova e os mecanismos de execução.
### I. Visão Geral do Sistema de Tribunais de Propriedade Intelectual da China
O sistema de tribunais de propriedade intelectual da China é composto por três níveis: as câmaras de propriedade intelectual dos tribunais populares de base, os tribunais de propriedade intelectual dos tribunais populares intermédios (como os Tribunais de Propriedade Intelectual de Pequim, Xangai e Guangzhou) e o Tribunal de Propriedade Intelectual do Supremo Tribunal Popular. Destes, o Tribunal de Propriedade Intelectual de Pequim, o Tribunal de Propriedade Intelectual de Xangai e o Tribunal de Propriedade Intelectual de Guangzhou foram os primeiros tribunais especializados estabelecidos, julgando principalmente casos cíveis e administrativos de propriedade intelectual com elevado teor técnico, como patentes, marcas e direitos de autor.
Desde 2019, o Tribunal de Propriedade Intelectual do Supremo Tribunal Popular unificou o julgamento de recursos em todo o país em casos de propriedade intelectual com elevado teor técnico, como patentes, proporcionando às partes estrangeiras uma garantia judicial de nível superior. Além disso, foram estabelecidas câmaras de propriedade intelectual em Shenzhen, Hangzhou, Ningbo e outras cidades, formando uma rede judiciária que cobre as principais regiões económicas.
As partes estrangeiras devem notar que os tribunais de propriedade intelectual chineses adotam o princípio da jurisdição concentrada para a competência dos casos. Por exemplo, os casos de primeira instância por violação de patentes são geralmente julgados por tribunais populares intermédios ou tribunais de propriedade intelectual com jurisdição, enquanto os casos que envolvem o reconhecimento de marcas notórias devem ser julgados por tribunais designados pelo Supremo Tribunal Popular. A tabela seguinte resume o âmbito de jurisdição dos principais tribunais de propriedade intelectual:
| Nome do Tribunal | Data de Estabelecimento | Âmbito Principal de Jurisdição | Observações Especiais |
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| Tribunal de Propriedade Intelectual de Pequim | 2014 | Casos de primeira instância de patentes, marcas, direitos de autor, antitrust, etc. | Jurisdição exclusiva sobre casos de reexame e invalidação de patentes |
| Tribunal de Propriedade Intelectual de Xangai | 2014 | Casos de primeira instância de patentes, marcas, direitos de autor, contratos de tecnologia, etc. | Jurisdição partilhada com tribunais de base como o Tribunal do Distrito de Pudong |
| Tribunal de Propriedade Intelectual de Guangzhou | 2014 | Casos de primeira instância de patentes, direitos de autor, marcas, etc. | Abrange alguns casos na província de Guangdong |
| Tribunal de Propriedade Intelectual do Supremo Tribunal Popular | 2019 | Casos de segunda instância de patentes e outros casos técnicos em todo o país | Uniformização dos padrões de julgamento |
### II. Preparação e Estratégia Antes do Litígio
Antes de intentar uma ação nos tribunais de propriedade intelectual chineses, as partes estrangeiras devem realizar um planeamento estratégico completo. Em primeiro lugar, devem definir claramente os objetivos do litígio – se procuram indemnização por danos, a cessação de atos de violação ou a confirmação da titularidade dos direitos. Objetivos diferentes influenciarão a escolha da estratégia processual.
**As etapas preparatórias essenciais incluem:**
1. **Avaliação da Estabilidade dos Direitos**: Antes de intentar uma ação por violação, deve avaliar-se a validade da patente, marca ou direito de autor em causa. Para patentes, recomenda-se a realização de uma pesquisa de estado da técnica através do sistema de pesquisa de patentes da CNIPA; para marcas, é necessário confirmar se a marca está registada na China e se é válida.
2. **Preservação e Recolha de Provas**: A lei chinesa permite que as partes requeiram a preservação de provas antes ou durante o litígio. As medidas comuns incluem: a compra notarial de produtos contrafeitos, requerer ao tribunal o selo de artigos contrafeitos ou a obtenção de registos financeiros relevantes. As partes estrangeiras devem prestar especial atenção aos procedimentos de legalização e apostilha de provas transfronteiriças.
3. **Escolha do Tribunal Competente**: Selecionar o tribunal competente com base no local do ato de violação, no domicílio do réu ou na cláusula contratual. Para casos envolvendo patentes essenciais a normas, o Tribunal de Propriedade Intelectual de Pequim possui uma vasta experiência de julgamento por lidar com um grande número destes casos.
4. **Tradução e Legalização**: Todas as provas em língua estrangeira devem ser acompanhadas de uma tradução para chinês e ser legalizadas por um notário do país de origem e autenticadas pela embaixada ou consulado chinês. Este procedimento é moroso, pelo que se recomenda a sua preparação antecipada.
5. **Confirmação do Prazo de Prescrição**: O prazo de prescrição para ações de violação de propriedade intelectual é geralmente de três anos, a contar da data em que o titular teve ou deveria ter tido conhecimento do ato de violação. As partes estrangeiras devem verificar cuidadosamente os prazos relevantes.
### III. Procedimento Judicial e Prazos
O procedimento judicial nos tribunais de propriedade intelectual chineses segue a Lei de Processo Civil e leis especiais como a Lei de Patentes. As partes estrangeiras devem familiarizar-se com as seguintes fases processuais principais:
**Fase de Instauração**: As partes estrangeiras devem apresentar a petição inicial, os documentos comprovativos dos direitos, as provas da violação, etc. O tribunal decide se instaura a ação no prazo de sete dias após a receção dos documentos. Para casos com elementos estrangeiros, o tribunal examinará os documentos comprovativos da personalidade jurídica das partes (como certificados de registo de empresa, certidões do representante legal), que também necessitam de legalização.
**Apresentação de Provas e Contestação**: Os tribunais chineses aplicam o princípio "quem alega, prova". Em casos de violação de patentes, o tribunal pode exigir que as partes apresentem uma tabela de comparação das características técnicas. O titular estrangeiro pode requerer ao tribunal que ordene ao réu a apresentação de documentos financeiros relevantes para o cálculo da indemnização. É de notar que os tribunais chineses têm aplicado cada vez mais rigorosamente a regra da "obstrução à produção de prova" nos últimos anos – se o réu se recusar, sem justa causa, a fornecer provas essenciais, o tribunal pode aceitar diretamente as alegações do autor.
**Participação de Peritos Técnicos**: Em casos que envolvem questões técnicas complexas, o tribunal pode nomear peritos técnicos para participar no processo e auxiliar o juiz na compreensão dos factos técnicos. As partes estrangeiras devem cooperar ativamente com os peritos técnicos, fornecendo explicações técnicas claras.
**Julgamento e Decisão**: O processo comum de primeira instância demora geralmente 6 a 12 meses, mas os casos com elementos estrangeiros podem prolongar-se até 18 meses. O processo de segunda instância demora normalmente 3 a 6 meses. Após a prolação da decisão, as partes podem interpor recurso no prazo de 15 dias (casos cíveis) ou 30 dias (casos com elementos estrangeiros).
**Cronograma de Caso Típico**:
- Revisão para instauração: 7 dias
- Troca de provas: 1-2 meses
- Audiência de julgamento: 3-6 meses após a instauração
- Decisão de primeira instância: 1-3 meses após a audiência
- Prazo para recurso: 15 dias (nacional) ou 30 dias (elementos estrangeiros) após a notificação da decisão
- Prazo para julgamento da segunda instância: 3 meses (prorrogável)
### IV. Regras de Prova e Cálculo de Indemnizações
Os tribunais de propriedade intelectual chineses adotam o padrão de "alta probabilidade" na admissão de provas, ou seja, desde que a prova possa demonstrar uma alta probabilidade do facto a ser provado, o tribunal pode considerá-la como estabelecida. As partes estrangeiras devem prestar especial atenção às seguintes regras de prova:
**Tipos de Prova**: Incluem documentos escritos, provas materiais, dados eletrónicos, testemunhos, etc. Destas, as provas notariais têm um elevado valor probatório nos tribunais chineses. Para atos de violação online (como a venda de produtos contrafeitos em plataformas de comércio eletrónico), recomenda-se a preservação de páginas web através de um notário.
**Métodos de Cálculo de Indemnizações**: A Lei de Patentes e a Lei de Marcas da China estipulam quatro métodos de cálculo de indemnizações: perdas reais do titular, lucros obtidos pelo infrator, múltiplos razoáveis das taxas de licenciamento e indemnização legal. As leis revistas em 2020 aumentaram o limite máximo da indemnização legal para 5 milhões de RMB (patentes) e 5 milhões de RMB (marcas), e introduziram um sistema de indemnização punitiva – para infrações dolosas e de natureza grave, pode ser aplicada uma indemnização punitiva de 1 a 5 vezes o valor calculado.
As partes estrangeiras devem notar que os tribunais chineses geralmente exigem provas financeiras detalhadas para calcular a indemnização. Se não for possível fornecer provas suficientes, o tribunal pode aplicar a indemnização legal, cujo montante é frequentemente mais baixo. Portanto, recomenda-se que as partes estrangeiras recolham, antes do litígio, o máximo possível de provas essenciais, como dados de vendas dos produtos contrafeitos e demonstrações financeiras do réu.
### V. Mecanismos de Execução e Desafios Transfronteiriços
A execução das decisões dos tribunais de propriedade intelectual chineses é da responsabilidade dos departamentos de execução dos tribunais populares a vários níveis. Após obter uma decisão favorável, a parte estrangeira deve requerer a execução forçada ao tribunal de primeira instância ou ao tribunal do local onde os bens estão situados. As medidas de execução incluem: selo, apreensão e congelamento de bens; restrição de consumo elevado; inclusão na lista de devedores não confiáveis, etc.
**Questões Especiais de Execução Transfronteiriça**:
- **Localização de Bens**: As partes estrangeiras podem obter informações sobre os bens do réu através de mandados de investigação do tribunal ou de mandados de investigação de advogados. A China estabeleceu um sistema nacional de controlo de execução em rede dos tribunais, que permite consultar depósitos bancários, imóveis, veículos e outras informações.
- **Reconhecimento Mútuo de Decisões**: A China celebrou tratados de reconhecimento e execução mútuos de decisões cíveis e comerciais com vários países. Para países sem tratado, as partes estrangeiras devem requerer o reconhecimento através de vias diplomáticas ou do princípio da reciprocidade.
- **Injunções Provisórias**: Em situações de urgência, as partes estrangeiras podem requerer medidas cautelares (ou seja, injunções provisórias) para exigir que o tribunal cesse imediatamente o ato de violação. Nos últimos anos, os tribunais chineses emitiram frequentemente injunções provisórias em casos de patentes essenciais a normas, fornecendo uma ferramenta poderosa aos titulares estrangeiros.
### VI. Conselhos Práticos e Avisos de Risco
Com base em questões comuns na prática, as partes estrangeiras devem ter em atenção os seguintes aspetos ao litigar nos tribunais de propriedade intelectual chineses:
**Escolha de Representante Profissional**: A lei chinesa exige que as partes estrangeiras nomeiem um advogado chinês em litígios de propriedade intelectual. Recomenda-se a escolha de uma equipa de advogados com qualificações de agente de patentes e vasta experiência em litígios. Organizações profissionais de serviços de propriedade intelectual, como a WeRights, podem ajudar as partes estrangeiras a selecionar a equipa jurídica adequada.
**Barreiras Linguísticas e Culturais**: Todos os documentos legais devem estar em chinês. As partes estrangeiras devem garantir a exatidão da tradução para evitar consequências adversas devido a ambiguidades terminológicas. Simultaneamente, os tribunais chineses dão ênfase à mediação; as partes estrangeiras podem considerar expressar a sua vontade de mediar durante o litígio, o que pode ajudar a acelerar a resolução do caso.
**Custas e Despesas**: As custas judiciais incluem taxas de receção do caso, taxas de preservação de provas, taxas de perícia, honorários de advogados, etc. As partes estrangeiras devem avaliar antecipadamente os custos do litígio e considerar a aquisição de seguro de litígio. Para casos envolvendo patentes de alto valor, as custas podem ascender a centenas de milhares de RMB.
**Avisos de Risco**:
- **Risco de Declaração de Invalidade da Patente**: O réu frequentemente contesta a ação de violação requerendo à CNIPA a declaração de invalidade da patente. As partes estrangeiras devem garantir a estabilidade da patente ou preparar uma estratégia para lidar com o processo de invalidade.
- **Objeção à Jurisdição**: O réu pode apresentar uma objeção à jurisdição para atrasar o litígio. As partes estrangeiras devem escolher um tribunal com fundamentos jurisdicionais sólidos ao intentar a ação.
- **Dificuldades de Execução**: Mesmo obtendo uma decisão favorável, a execução pode ser dificultada se o réu não tiver bens ou transferir os seus ativos. Recomenda-se a realização de uma garantia de bens antes do litígio.
**Conselho Final**: As partes estrangeiras devem estabelecer uma estratégia de proteção da propriedade intelectual a longo prazo, incluindo o planeamento de patentes, o registo de marcas e a inscrição de direitos de autor na China. Embora o litígio seja um importante meio de reparação, uma estratégia combinada com queixas administrativas (como requerer uma decisão administrativa sobre violação de patentes à CNIPA) e proteção aduaneira (como requerer o registo aduaneiro de direitos de propriedade intelectual) é frequentemente mais eficaz.
Com uma preparação adequada e uma estratégia razoável, as partes estrangeiras podem obter uma reparação judicial justa e eficiente nos tribunais de propriedade intelectual da China. Para consultas adicionais, pode contactar a equipa profissional através do Telegram @token_1_com para obter aconselhamento personalizado.
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